Futuro e os Investidores de Silício

setembro 3, 2010 | Publicado por Fernando Botti |

Certamente o desenvolvimento de inteligências artificiais específicas e arrojadas avança de forma invisível ao público e à ciência coletiva. Apenas pequenas demonstrações de humanóides que mimetizam comportamentos como correr, subir escadas ou tocar violinos, computadores que simulam humanos em chats e pilotos automáticos de automóveis e outros veículos, essa realidade é distante e retrógrada do que supostamente observaríamos no interior de algumas corporações financeiras.

A motivação e necessidade é a verdadeira força motriz para avanços tecnológicos, Asimov ficaria surpreso hoje ao ver que o seu “cérebro positrônico” não está dentro de invólucros de metal ambulantes, falantes e serviçais e sim em supercomputadores, com estratégias agressivas, determinando o presente e o futuro das movimentações financeiras mundiais.

O intermediador humano, o operador de mesa, o analista financeiro são papéis que pouco a pouco desaparecerão se não obtiverem auxílio de ferramentas de apoio a decisão amparados em algoritmos, a decisão puramente humana, emocional, cederá lugar à mente estatística do trader de silício, dos algoritmos científico-financeiros, que correlacionarão mercados mundiais instantaneamente, integrarão, avaliarão a presença da aleatoriedade e do caos e por fim negociarão, lenta ou rapidamente, dependendo da estratégia e do interesse da instituição, conectados e presentes na financial-cloud, com uma margem de segurança nunca antes atingida.

Traders eletrônicos sofisticados obviamente serão tecnologias de poucos, como armas nucleares restritas, já podemos observar artigos sugestivos sobre os avanços nessa área, incompletos, em uma junção previsível entre academia e instituições financeiras de grande porte, publicações que visam demonstrar avanço e poderio bélico, já presentes em mais de 50% do volume negociado em alguns mercados.

A complexidade e o avanço da inteligência artificial, mesmo que restrita à área financeira atingirá patamares similares às previsões dos escritores de ficção científica ? Haverá leis subjacentes que suportarão todo caos oriundo do universo do mercado ?

Futuros Flertando com Máximas

agosto 5, 2010 | Publicado por Fernando Botti |

Os Índices Futuros, presente nos mercado ao redor do mundo, carregam implicitamente uma sorridente auto-propaganda: a promessa do futuro. Uma espetacular ferramenta de proteção de carteira, também utilizada para operações especulativas, e com sua elevada liquidez, tornam esses ativos muito atraentes para o trading quantitativo.

Aqui no Brasil a liquidez está concentrada nos futuros do índice Bovespa (principalmente o mini contrato, com 5x maior liquidez que o contrato cheio) e nos contratos de dólar.

Após 20 de julho, observamos fortes indicações estatísticas para um cenário de tendências definidas, nos aproximando dos patamares de abril, 69 mil pontos, o tão famoso flerte com as máximas, que pode indicar…absolutamente….nada !  Há muitas estratégias reversionistas que optam pelo risco de antever realizações e se posicionam de forma contrária as tendências principais, dependendo do volume das posições podemos testemunhar a execução de uma professia auto-realizável.

A expressão foi cunhada pelo sociólogo Robert K. Merton, que elaborou o conceito no seu livro Social Theory and Social Structure, publicado em 1949. Merton estudou a corrida aos bancos, verificando que, quando se difunde o boato de que um banco está em dificuldades, os correntistas apressam-se em retirar os valores ali depositados e liquidar outros negócios, de modo que o banco acaba mesmo falindo.

Mas o futuro e seus pretensos (exterminadores e lucrativos) índices não se redem facilmente à uma compreensão simplista de seu modus operandi.

Explosões Solares e Bolsa de Valores

julho 15, 2010 | Publicado por Fernando Botti |

Artigo muito interessante que saiu no site da Agência Fapesp, sobre estudos envolvendo o caos e suas áreas de influência, reprodução logo abaixo:

Por Fabio Reynol da Agência FAPESP – Estudos sobre manchas solares, fisiologia respiratória, operações financeiras, meteorologia e outras áreas tão diversas como essas poderão se beneficiar de uma pesquisa publicada no periódico Physical Review Letters.

O trabalho foi feito por cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos (SP), em cooperação com colegas das universidades japonesas de Kyoto e de Hokkaido. Por meio de simulações numéricas, o grupo analisou a intermitência espaço-temporal, um fenômeno encontrado em fluidos, plasmas, óptica, reações químicas e biomedicina. A demonstração da dualidade da sincronização de amplitude-fase feita pelo grupo pode ser aplicada em ciclos solares, variabilidades climáticas, plasmas de fusão termonuclear controlada, ritmos cardíacos e respiratórios, sinais sísmicos e frentes de ionização no Universo, entre outros exemplos.

A intermitência é caracterizada por uma série temporal que exibe períodos laminares que, por sua vez, são intercalados por surtos de flutuações de grandes amplitudes. Já na chamada intermitência espaço-temporal, o sistema apresenta um comportamento caótico no tempo e também no espaço. O grupo foi liderado pelo físico espacial Abraham Chian, do Inpe, e investigou o mecanismo físico da intermitência do tipo on-off na transição do caos temporal para o caos espaço-temporal, com base na simulação numérica de um modelo não-linear de ondas longas. Esse modelo matemático pode ser utilizado para descrever fenômenos como a evolução da onda de deriva em plasmas ou de um tsunami em um oceano.

“O avanço significativo é a demonstração da dualidade da sincronização de amplitude-fase das flutuações, o que pode ser aplicado em muitos problemas de sistemas complexos como, por exemplo, o funcionamento do coração ou flutuações da bolsa de valores”, disse Chian à Agência FAPESP. O trabalho contou com o apoio da FAPESP por meio de um Auxílio à Pesquisa – Regular coordenado por Erico Rempel, professor do ITA, e de Bolsa de Pós-Doutorado para Rodrigo Miranda, do ITA. Yoshitaka Saiki, das universidades de Kyoto e Hokkaido, esteve no Brasil em 2006 com apoio da FAPESP.

Os três também assinam o artigo publicado na edição de 25 de junho da Physical Review Letters. O grupo também teve a participação de Michio Yamada, professor da Universidade de Kyoto, conhecido por ter desenvolvido o modelo GOY (Gledzer-Ohkitani-Yamada) de turbulência em fluidos. O estudo promoveu também avanços metodológicos. Os pesquisadores lançaram mão tanto da representação de Fourier como a de Lyapunov para calcular as entropias espectrais de potência e de fase, bem como as médias temporais dos espectros de potência e de fase.

Segundo Chian, a metodologia desenvolvida durante o trabalho poderá ser aplicada na resolução de uma grande variedade de problemas em sistemas físicos, biológicos, químicos e tecnológicos. Problemas no ritmo cardíaco e crises nas bolsas de valores são exemplos de instabilidades nesses sistemas. “Quando essa instabilidade evolui para um sistema não linear, esse fenômeno caótico que analisamos aparece”, disse.

A pesquisa focou nesse ponto de transição entre o período de fluxo laminar e o turbulento. O fato de o estudo poder ser aplicado também na análise de imagens implica que poderá auxiliar estudos de manchas solares. Chamadas de regiões solares ativas, essas manchas apresentam comportamento turbulento enquanto as regiões à sua volta atuam de maneira laminar. “Nosso trabalho poderá ajudar a entender a diferenciação das regiões solares ativas”, disse Chian.

Entender a transição de sistemas laminares para sistemas turbulentos pode ajudar também nas investigações sobre o clima, como a formação de fenômenos meteorológicos como furacões e tornados. A investigação atual está relacionada a outro trabalho publicado anteriormente também na Physical Review Letters. Na época, o grupo de Chian caracterizou uma nova estrutura chamada de “selas caóticas” que ajudam a prever o comportamento de um sistema caótico e a controlar caos e turbulência em sistemas complexos.

O nome foi inspirado nas selas de montaria devido a uma característica dessas estruturas: elas são estáveis em uma direção e apresentam instabilidade nas direções transversais a essa.

Saiba mais: http://www.agencia.fapesp.br/materia/12467/sincronizacao-no-caos.htm

Exclusivo : Estratégia Secreta dos Analistas Financeiros

julho 15, 2010 | Publicado por Fernando Botti |

Benoit Mandelbrot: Fractais e a Arte da Complexidade

julho 10, 2010 | Publicado por Fernando Botti |

Lendário matemático Benoit Mandelbrot desenvolve um tema discutido pela primeira vez em 1984 – a extrema complexidade da natureza e da maneira que a matemática fractal pode encontrar ordem dentro dos padrões que parecem extremamente complicados. (Legendas em inglês)

Investimentos e a Copa do Mundo

julho 10, 2010 | Publicado por Fernando Botti |

Em um interessante artigo na Financial Times, Simon Kuper afirma que quando um país recebe o mundial, os ganhos não cobrem os gastos com estádios. Mas o grau de felicidade da população aumenta. E isso também pode ser medido em números.

Segue a reprodução do artigo:

No dia em que a África do Sul ganhou o direito de sediar a Copa do Mundo, em 2004, o bairro negro do Soweto, em Johanesburgo, gritou: “A grana está vindo!” Eles estavam expressando algo que os brasileiros devem ter ouvido: que sediar uma copa traz dinheiro. Em qualquer lugar que se candidate a uma Copa do Mundo, políticos tecem loas à “bonança econômica”. Falam das hordas de turistas prontos para gastar os tubos, da propaganda gratuita para as cidades-sede, dos benefícios de longo prazo que as estradas e os estádios a ser construídos vão trazer. Não surpreende que o Brasil tenha querido tanto a copa.

Mas esse argumento econômico é uma enganação. Os brasileiros vão descobrir logo. E os sul-africanos já o fizeram: a conta pela construção de estádios, em US$ 1,7 bilhão, já é 6 vezes maior que as estimativas iniciais; a quantidade de turistas esperados é bem menor que a prometida e a Fifa não vai deixar os sul-africanos pobres vender suas salsichas do lado de fora dos estádios. Que fique claro: uma copa não deixa o país mais rico.

Tipicamente, um país prestes a receber um mundial paga para que economistas-fantoches publiquem estudos dizendo que a copa vai impulsionar a economia. Já a maioria dos economistas de verdade – pagos por universidades para escrever sobre o que realmente acreditam – pensa o inverso. E faz as perguntas que os promotores de novos estádios não gostam: de onde veem os trabalhadores temporários que vão participar dessas construções? Eles não tinham emprego antes? Isso não vai deixar outras áreas com menos trabalhadores experientes? E tem mais.

Gastar com uma copa significa menos hospitais e escolas. Pior: estádios novos quase nunca produzem os benefícios prometidos. A maior parte acaba usada poucas vezes por ano. É preciso que fique claro o que significam os gastos públicos com a construção e a reforma de estádios. Trata-se de uma transferência. Benefícios que iriam para o contribuinte vão para os clubes (que ganham arenas e reformas de graça) e os torcedores (que aproveitam as casas novas ou renovadas de seus times). Depois que o contribuinte pagou por estádios melhores, provavelmente mais pessoas vão querer ver jogos neles. O Brasil pós-2014 deve testemunhar o mesmo que aconteceu na Inglaterra após a melhoria dos estádios no começo dos anos 90: a chegada de mais torcedores de classe média, de mulheres, e públicos maiores nos jogos. É verdade que a Inglaterra é mais rica que o Brasil e pôde bancar isso. Mas o Brasil hoje é mais rico que os estádios dilapidados que tem.

O preço da felicidade

Se o público do futebol crescer após 2014, porém, isso não vai significar um impulso na economia. Só uma transferência da riqueza brasileira como um todo para o futebol brasileiro. Mas o país ganha um belo extra: felicidade. O economista britânico Stefan Szymanski e seu colega Georgios Kavetsos pesquisaram dados de felicidade da população na Europa Ocidental entre 1974 e 2004, com questionários que buscam tabular isso em números, e descobriram que, depois que um país recebe um torneio como o mundial ou a Eurocopa, seus habitantes se declaram mais felizes.

O salto de felicidade é grande. O europeu médio reporta um grau de felicidade duas vezes maior por seu país ter sediado uma grande competição do que por ter feito curso superior. Para ter o mesmo impulso no grau de felicidade, só se a pessoa recebesse um grande aumento de salário. E esse ganho persiste: 4 anos depois de uma copa, cada grupo de indivíduos pesquisados estava mais feliz do que antes do torneio.

A razão disso, ao que parece, é que sediar um mundial faz com que os habitantes sintam-se mais conectados uns aos outros. Uma copa faz isso mais do que qualquer outro projeto que possa existir nas sociedades modernas. Além disso, a nação anfitriã provavelmente ganha em autoestima pelo fato de ter organizado o torneio.

Dá para argumentar que o Brasil tem coisas mais urgentes. Da mesma forma que os sul-africanos, os brasileiros podem perguntar quantas casas ganhariam sa-neamento básico com o dinheiro público que irá para a construção de estádios. E serão R$ 5 bilhões, quase 3 vezes mais do que o previsto em 2007, quando o Brasil ganhou a disputa para virar sede.

O mais importante, porém, é entender qual é o propósito de uma copa. Se é para a felicidade geral da nação, faz sentido, sim, organizar a maior festa do mundo (e ninguém é melhor nesse quesito do que vocês, brasileiros). Só não esperem ganhar dinheiro com essa festa.

De Volta Para o Caos…!

julho 7, 2010 | Publicado por Fernando Botti |

Fui informado por fontes independentes sobre a data de hoje, um “Back to the Future” Day. A data do “futuro” que Marty McFly e Dr. Emmett Brown são projetados no DeLorean DMC-12, uma máquina do tempo equipada com o “Capacitor de Fluxo”, no segundo filme da saga.

Até hoje observamos reflexos da influência desses filmes em algumas manifestações artísticas, outros livros de ficção e contos…mas o que houve ? Onde está a utopia tecnológica prometida ? Tão difícil como prever o amanhã…é imaginar o futuro viável ! Contínuos efeitos borboletas ocorrendo todos os dias impedem que qualquer previsão mais longínqua não passe de pura e as vezes esperançosas especulações.

Atualização: Aparentemente se trata de um hoax, uma edição, uma brincadeira entre amigos e a explosão exponencial na internet, na verdade o futuro de Back to the Future II é um 2015. Esse evento não deixa de ter um dedo do caos, formação e declínio de atratores culturais.

Forex em Terras Portuguesas

julho 1, 2010 | Publicado por Fernando Botti |

Assim como o Brasil, em Portugal aumenta a procura pelo mercado de câmbio, alta alavancagem e promessas de ganho fácil atrai incautos e extermina os aventureiros, porém o potencial é gigantesco se a prudência, estudo e tecnologia estiverem a favor.