A Mente e o Preço-Alvo

Steven Pinker em seu clássico livro “How The Mind Works” traça uma completa descrição sobre o funcionamento da mente humana e como os processos evolutivos contribuiram para a sua complexa estrutura atual.
Ainda no primeiro capítulo, no texto sobre a “Engenharia Reversa da Psique” ele afirma: “…a mente é um sistema de órgãos de computação, projetados pela seleção natural para resolver os tipos de problemas que nossos ancestrais enfrentavam em sua vida de coletores de alimentos, em especial entender e superar em estratégia os objetos, animais, plantas e outras pessoas…”
E o que isso tem a ver com o assunto, mercado e investimentos ?
A evolução e a complexidade da sociedade na última centena de anos criou uma gama impressionante de novos problemas, além de outros que não eram necessariamente fundamentais para nossa sobrevivência evolutiva, esses resquícios não resolvidos promovem hoje em nós o que os estudiosos da cognição chamam de viéses de julgamento. São escolhas tendenciosas não racionais que realizamos, com prováveis resultados desastrosos, principalmente nos investimentos.
Um típico exemplo como esses mecanismos agem em nosso cérebro pode ser descrito pelo “viés da confirmação”, após a tomada de uma decisão, procuramos todos os fatos, notícias, opiniões que corroboram o caminho escolhido. Não queremos estar errados. Esse é um dos principais motivos pelas saídas tardias de posições perdedoras em investimentos ou pelas reduções de preço médio.
Amos Tverku e Daniel Kahneman são os fundadores dos estudos do papel da cognição no mercado financeiro, uma área relativamente nova, no qual muitos dos primeiros resultados estão relatados no livro clássico Judgement Under Uncertainty, editados por eles e Paul Slovic.
O que torna esses resultados especialmente interessantes é a maneira como esclarecem as táticas usadas consciente ou inconscientemente pelas pessoas na vida cotidiana. Por exemplo, um dos artifícios favoritos dos ativistas de todos os naipes ideológicos é definir os termos de um debate atirando números que nem sempre têm muito a ver com a realidade para serem influentes.
Analistas e os preços-alvo.
A exaltação financeira infundada e “preços-alvo” irrealistas exercem o mesmo efeito. Ao que parece, os analistas não raro definem um preço-alvo para determinada ação, a fim de influenciar os investidores, inserindo um número na cabeça deles. (Como esses alvos tantas vezes se confundem com desejos, será que eles não deveriam ser sempre infinitos?).
A razão para o sucesso dessa hipérbole é que a maioria de nós sobre de uma deficiência psicológica comum. Acreditamos e nos prendemos a qualquer número que ouvimos, como por exemplo, rendimentos absurdos no lançamento das ações da BM&F. Essa tendência é denominada “efeito âncora” e explorarei mais detalhes em outro post. Todos esses novos dados servem para confirmar que não podemos estar soltos, a deriva em nossa mente, no mercado, estratégias fundamentas, ou melhor, sistemas automatizados evitam esse tipo de catástrofe.
