Uma Breve História do Crédito Fácil

setembro 18, 2008 | por Fernando Botti |

Automóveis em 99 vezes, residências em 250 anos pela Caixa Econômica Sideral, a elevação da disponibilidade do crédito fácil está com seus dias contados, observando atentamento a crise da sede do liberalismo econômico, podemos imaginar, ao contrário que alardeam em tom severo e seguro que estamos blindados, o terremoto abrirá suas fissuras aqui também. Sobre a crise de crédito que afeta ou afetará o planeta, um interessante artigo do Wall Street Jornal.

Crédito encolhe no mundo todo

The Wall Street Journal 

O maior aperto de liquidez em décadas chegou a uma intensidade dramática no mundo e já é sentido no Brasil.

O sistema financeiro americano lembra um doente em terapia intensiva. Autoridades do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) e do Tesouro identificaram a doença: desalavancagem. Durante a explosão do crédito, de 2002 a 2006, as instituições financeiras e as famílias americanas se endividaram muito acima do ritmo de crescimento econômico. Muitos dos que tomaram dinheiro não podem pagá-lo agora, após o colapso nos preços dos imóveis residenciais.

Pelo menos três coisas precisam ocorrer para pôr fim à desalavancagem. Instituições financeiras precisam dar baixa contábil dos ativos desvalorizados que compraram com dinheiro emprestado, pagar suas dívidas e refazer o capital corroído pelo prejuízo com aqueles ativos.

O processo, porém, se auto-alimenta de forma perversa. A venda de ativos derruba preços, dificultando a operação e causando mais perdas. Com isso, as ações das empresas perdem valor e elas não conseguem levantar mais capital. Como acadêmico, o atual presidente do Fed, Ben Bernanke, apelidou essa auto-alimentação de “acelerador financeiro”.

A fuga para ativos mais seguros, como ouro e títulos do Tesouro americano, cujos rendimentos ficaram negativos, não era vista desde a Segunda Guerra Mundial. Empréstimos entre bancos foram completamente suspensos. Dois fundos de curto prazo, considerados tão seguros quanto depósitos à vista, quebraram por terem investido em papéis do Lehman. As bolsas caíram no mundo todo e nem o empréstimo de US$ 85 bilhões do Fed para a seguradora AIG, anunciado na terça-feira, conteve a aversão ao risco.

No Brasil, a Bovespa caiu 6,74% e o dólar fechou a R$ 1,87, com alta de 2,41%. Além de ter inviabilizado empréstimos sindicalizados, o aperto de liquidez internacional secou linhas de financiamento ao comércio exterior, o que não se verificava no país desde 2002. As linhas que restam são de curto prazo, no máximo 180 dias. O custo dobrou, o que ajuda a alta do dólar. O desmonte de posições de fundos e bancos que precisam de liquidez e perderam dinheiro em outros mercados também tem puxado o dólar contra o real e contribuído para elevar os juros nos mercados futuros. A concordata do Lehman afetou especialmente o mercado a termo de dólares contra reais no exterior, o chamado mercado de “NDF” (do inglês “non-deliverable forward”).

O que mais você precisa saber:

  1. 4 Comentários sobre “Uma Breve História do Crédito Fácil”


  2. Por Adriano em set 22, 2008 | Resposta

    Excelente reportagem.


  3. Por Alexandre Matias em set 22, 2008 | Resposta

    Como disse um amigo aqui, foi a maior socialização de prejuízos da história. Dinheiro de impostos para cobrir a ganância desemedida da máquina de WS.


  4. Por Daniel em set 23, 2008 | Resposta

    Crédito facil = dinheiro de graça

    Uma confusão comum em pessoas de todas as classes sociais. Acredito que isto se deve ao fato da educação financeira ser simplesmente desprezada na escola!


  5. Por Fernando Botti em set 23, 2008 | Resposta

    http://www.atrattore.com

    Olá Daniel,

    Tem toda razão. Dinheiro emprestado com custo relativamente alto.

    Abraços,
    Botti

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