O Conhecimento e as Ações

janeiro 9, 2008 | por Fernando Botti |

Avaliar outros investidores em busca de informações veladas é mais que uma questão de psicologia. Também se necessita de novas noções de lógica. Uma delas, o “conhecimento comum”, devida originalmente ao economista Robert Aumann, é fundamental para a compreensão da complexidade do mercado financeiro e da importância da transparência. Determinada informação é de conhecimento comum entre um grupo de pessoas se todos a conhecerem, souberem que outros a conhecem, souberem que outros sabem que eles sabem e assim por diante. É muito mais do que “conhecimento mútuo”, que exige apenas que as partes conheçam determinada informação, mas que não estejam cientes do conhecimento dos outros.

Essa noção de conhecimento comum é essencial para ver como o “processamento subterrâneo da informação” geralmente é a base de bolhas e crashes repentinos nos mercados, mudanças que parecem ter surgido absolutamente do nada e cuja a previsão, portanto, é praticamente impossível. Também é relevante para a compreensão das recentes operações com as ações da BM&F. Uma alta expectativa foi gerada em torno da IPO, os antigos investidores de certa forma, colaboraram para uma informação mútua se transformasse em uma informação comum, gerando um baixíssimo rateio e uma valorização pífia.

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