Buy and Hold e a Crise das Commodities

outubro 17, 2008 | por Fernando Botti |

Segundo reportager de Ivo Ribeiro e Vera Durão do Valor Econômico, a recessão americana atingiu direto a produção de algumas siderúrgicas de ferro-gusa do país, principalmente da região Norte. As primeiras vítimas são fabricantes do pólo de Marabá, no Pará, que responde por cerca de um quarto das exportações nacionais, quase tudo para os Estados Unidos. Outros pólos, como o do Maranhão, também voltado para o mercado americano, enfrenta o mesmo dilema: dificuldade de renovar contratos de venda.


A notícia trás alguns pontos interessantes para reflexão, como por exemplo, a queda de demanda por commodities de infra-estrutura em países desenvolvidos e em desenvolvimento, tanto aço como petróleo, ou seja,  sabemos da perceptível vinculação do índice Bovespa com a variação dos preços dessas matérias-primas. Petróleo e minérios representam mais de 30% da classificação setorial que compõe o Ibovespa.

A irracionalidade do mercado observada nesses dias, obviamente criou distorções entre o “preço real” e o “preço sentimento” dos ativos negociados, porém, dificilmente iremos observar uma exuberância pulsante como nesses últimos 5 anos. De muito pouco adiantará ter centenas de milhares de barris no pré-sal se não houver compradores robustos.

Muitos investidores pularam do barco, outros amargam de 50 a 70% de prejuízo nas carteiras, a crença buy and hold provavelmente foi uma das grandes responsáveis pela repentina e triste multiplicação de pré-falidos, que entraram na época onde até o jardineiro ganhava com ações, agora, aguardaram uma recuperação acima de 100% dos seus papéis para pelo menos zerarem as baixas.

Creio que foi um dos maiores drawdowns já observados em ações e nas carteiras e, quanto mais se acentuam as perdas, mais a curva de recuperação se torna íngrime e distante, em uma escala exponencial de dificuldades, ou seja, a mágica do juros compostos se voltou contra nós.

Três semanas de perdas que poderão levar anos de recuperação. Podemos então, quem sabe, lentamente, aprender novas técnicas de Exit and Hold, antes que seja tarde demais.

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