Cognição e a Teoria dos Jogos

Teoria dos Jogos e as armadilhas cognitivas são dois assuntos extensos e de extrema importância para compreendermos algumas nuances e viéses sobre as anomalias irracionais produzidas pelo mercado.
Atualmente a Teoria do Jogos é um ramo da matemática aplicada em vários segmentos que envolvem situações estratégicas, se fundamenta basicamente em um ambiente onde diversos jogadores escolhem diferentes ações na tentativa de melhorar seu retorno, foi inicialmente desenvolvida como ferramenta para compreender comportamento econômico, como iremos utilizar aqui.
Se considerarmos os participantes do mercado como jogadores racionais da Teoria dos Jogos, podemos elaborar uma série de comportamentos e estratégias que se alinham perfeitamente à Hipótese do Mercado Eficiente, onde todos seus participantes tomariam decisões racionais e seria praticamente impossível auferir retornos sobre quaisquer estratégias de investimento.
Porém nossas reações às notícias são apenas uma das maneiras pelas quais não somos totalmente racionais. Em termos mais gerais, simplesmente nem sempre nos comportamos de maneira a maximizar nosso bem-estar econômico, por exemplo operar opções visando as proibitivas taxas de retorno sem quaisquer estratégias, é uma forma irracional de investir. Evidências mais sutis dos limites explanatórios do ideal do racionalismo no mercado são fornecidas pelos chamados “jogos do tudo ou nada”. Tais jogos geralmente são disputados por dois jogadores. O banqueiro do jogo dá a um dos jogadores determinada quantia, por exemplo, 1.000 reais, e confere ao outro uma espécie de poder de veto. O primeiro jogador pode oferecer qualquer fração dos 1.000 reais, diferente de zero, ao segundo jogador, que pode aceitá-la ou rejeitá-la. Se aceitá-la, fica com a quantia oferecida e o primeiro jogador fica com o saldo. Se rejeitar, o banqueiro tira todo o dinheiro de volta.
Quando se analisa a situação sob a visão racional da teoria dos jogos, conclui-se que é do interesse do segundo jogador aceitar qualquer quantia ofertada, pois, por menor que seja, sempre será melhor do que nada. Também se raciocina que o primeiro jogador, sabendo disso, faria apenas ofertas minúsculas ao segundo jogador. Ambas as suposições são falsas. As ofertas chegam a 50% de todo o dinheiro e, se forem consideradas muito pequenas e, portanto, humilhantes, são às vezes rejeitadas.
As idéias de justiça e igualdade, assim como de ódio e vingança, parecem desempenhar seu papel.
