Risco e Ações em Épocas de Crise
agosto 20, 2008 | por Fernando Botti |
Muitas vezes discuti o conceito de risco nesse blog, talvez uma das medidas mais complexas e controversas do universo dos investimentos. O risco em geral é assustador, principalmente em épocas de crises nas bolsas, onde todos lembram que não existe almoço grátis.
O medo que o risco provoca talvez explique o parte do fascínio por sua quantificação, demonstramos alguns casos, como cálculo de drawdown e a volatilidade. Dar nome ao bicho papão tende acalmá-lo, e a chance é um dos bichos papões mais assustadores, pelo menos para os adultos.
Assim, como entender o conceito de risco, sob o ponto de vista matemático ? Comecemos com a idéia de “variância”, um dos vários termos matemáticos para variabilidade. Qualquer quantidade dependente da chance varia se desvia da média; às vezes é mais do que a média, às vezes é menos. O peso (massa) do pão francês, por exemplo, às vezes é maior, outras é menor que a média, um dos motivos da precificação por peso, ao invés de quantidade. Esses desvios em relação à média constituem o risco e é o que queremos quantificar.
Esses desvios podem ser positivos ou negativos, da mesma forma como a massa do pão francês, no entanto, se elevarmos esses desvios ao quadrado, os desvios serão todos positivos, e chegamos então a uma definição: a variância.

- Gráfico da Variância da precipitação pluviométrica da região do Sahel, na África Ocidental
Acima, o gráfico de variância que é utilizado em meteorologia para determinar probabilidade de chuvas, quanto maior a variância (verde) menor é a previsibilidade. Lembre-se de que, para qualquer quantidade, quanto maior for o desvio-padrão, maior será a dispersão de seus valores em relação à média; quanto menor for o valor, maior será a concentração dos valores possíveis em relação à média.
Em ações, isso não é diferente, imagine que calculamos um valor aproximado de 10% de devio-padrão anual para ações da Petrobrás, isso significa que podemos esperar que na final de um ano, o valor estará 10% acima ou abaixo do valor atual. Em fundos de ações, ou multimercados, gestores calculam esse risco, para que, na composição, seja menor que cada ativo isolado.

2 Comentários sobre “Risco e Ações em Épocas de Crise”
Por Sergio em set 5, 2008 | Resposta
http://www.escueladepoquer.com.arÉ possível medir o risco investimentos em ações?
Mandelbrot disse que a variância pode ser infinita
um abraço
Sergio
Por Fernando Botti em set 8, 2008 | Resposta
http://www.atrattore.comOlá Sérgio,
Sua questão é muito interessante e leva a outras várias questões, creio que terei que publicar um artigo completo sobre variância infinita.
Mas para ser sucinto, existe uma escala de probabilidades no qual podemos mensurar a validade de um determinado risco. Que obedece, aparentemente, as leis de potência.
Ótima questão.
Abraços, Botti