Madoff, o faraó da Nasdaq

dezembro 16, 2008 | por Fernando Botti |

O grupo Santander é um dos lesados do esquema criminoso de Madoff, ex-presidente do Nasdaq, e reconhece uma perda que pode chegar aos 2,347 bilhões de euros. Madoff,  já detido nos EUA, terá causado perdas a vários bancos de 38 bilhões  de euros num esquema de pirâmide em que investidores, atraídos por promessas de altos ganhos, acabariam remunerados com o dinheiro de quem entrava na pirâmide. [Será que já não vimos isso antes ? Tudo bem, o esquema Madoff era muito bem maquiado, Ponzi criou discípulos poderosos...]

O BPN, o Banco Efisa e a gestora Valor Alternativo mantiveram nos últimos anos exposição a uma das empresas mais afetadas pela fraude da empresa de Madoff.

O grupo espanhol Santander, quarto maior banco de Portugal, tem exposição direta e de clientes a fundos de Bernard L. Madoff, investidor detido pelas autoridades federais norte-americanas, no valor de 2,347 bilhões  de euros, comunicou esta segunda-feira o banco ao mercado.

A exposição de clientes do grupo Santander na Optimal Strategic, um sub-fundo do universo Santander cujos investimentos eram executados pela Madoff, “é de 2.010 milhões de euros [que] correspondem a investidores institucionais e clientes de banca privada internacional e 320 milhões de euros [de] produtos estruturados (…) que formam parte das carteiras de clientes da banca privada do Grupo em Espanha”.

A relação, explica o Santander, existia através da gestora do grupo especializada na gestão de fundos e instituições de investimento alternativo, a Optimal Investment Services, que gere uma sociedade de investimento alternativo constituída na Irlanda, a Optimal Multiadvisors Ireland, onde está esse subfundo, denominado Optimal Strategic US Equity, em relação ao qual a Madoff Securities é “a entidade encarregada para executar os investimentos dentro dos limites por aquela estabelecidos”.

As ações do Santander reagiram em queda acentuada, imediatamente depois do comunicado do banco, mas recuperam em seguida e a meio da sessão de hoje cotavam-se a 6,50 euros, a subir 0,78 % em relação ao preço no fechamento do mercado na sexta-feira.

Alguns bancos europeus já reconheceram perdas potenciais devido à sua exposição a produtos ligados ao fundo especulativo de Bernard Madoff. Na Europa, o BNP Paribas já assumiu que pode enfrentar perdas potenciais de 350 milhões de euros. A entidade francesa divulgou um comunicado, no domingo, onde explica que não investiu diretamente nos produtos de Madoff, mas está exposto ao escândalo por via das atividades e operações de crédito com outros fundos que tinham aplicações no negócio fraudulento de Madoff.

O Banco Português de Negócios, o Banco Efisa e a gestora Valor Alternativo mantiveram nos últimos anos exposição ao Fairfield Sentry, uma das empresas mais afetadas pela fraude da empresa de Bernard Madoff, noticia o Jornal de Negócios. No final de 2006, o Fairfield Sentry representava 8% da carteira de ativos do Valor Sigma, um fundo sob aconselhamento da Valor Alternativo.

Em Espanha, onde o banco central iniciou uma investigação para apurar amplitude do impacto nos bancos locais à fraude piramidal Madoff. Em outros países europeus (Reino Unido, Suíça e França), outras entidades como o RBS, HSBC, Reichmuth & Co. e o Natixis vão assumindo perdas potenciais por exposição ao escândalo.

Uma das mais graves fraudes financeiras da História

A fraude do ex-presidente do Nasdaq, Bernard Madoff, um dos maiores nomes de Wall Street e um dos gestores de hedge funds com o maior patrimônio do mundo, é já considerada uma das mais graves da história dos Estados Unidos, depois da falência da Enron, em 2001, e que pode lesar os seus clientes em 50 mil milhões de euros. [Isso abre sérios precedentes com relação aos fundos hedges americanos, principalmente com relação a fiscalização, já sabidamente precária...]

Segundo a Reuters, Madoff, de 70 anos, praticava o seu esquema a partir da sua empresa de investimentos, a Bernard L. Madoff Investment Securities LLC, fundada em 1960. O Conselheiro de investimentos em Wall Street participava de fraudes conhecidas como “esquema Ponzi”, que consiste em formar uma pirâmide de investidores iniciais atraídos por promessas de altos ganhos e que acabam remunerados com o dinheiro de quem vai entrando em seguida na pirâmide. [Para deixar claro, a Bolsa de Valores, Forex e outras modalidade de investimento com livre formação de preços NÃO são esquemas Ponzi, apesar de alguns espertalhões montarem esquemas desse tipo utilizando o nome desses mercados...]

O septuagenário foi detido na quinta-feira e libertado depois de pagar 10 milhões de dólares (7,5 milhões de euros). Segundo os procuradores, Madoff pode apanhar uma pena de até 20 anos de prisão e ser obrigado a pagar uma multa de até 5 milhões de dólares. Se apresentará a um juiz em Nova Iorque já na sexta-feira.

Mardoff esperava entregar-se às autoridades depois de reunir entre 200 e 300 milhões de dólares (150 a 225 milhões de euros) para pagar a alguns dos funcionários, à família e aos amigos.

Fonte: Jornal de Notícias – Portugal

  1. 2 Comentários sobre “Madoff, o faraó da Nasdaq”


  2. Por Adriano em dez 18, 2008 | Resposta

    Soube que muitos foram vítimas aqui no Brasil, além do Santader, Itaú, Safra, entre outros. Provavel que seja a maior pirâmide do planeta !

    Adriano


  3. Por Forex Master em dez 18, 2008 | Resposta

    Bem lembrado Botti, Forex, Bolsa, etc, não são Ponzi. Se não, muito antes teríamos quebrado e não sobraria tijolo sobre tijolo nesse mundo financeiro.

Deixe seu Comentário