Enron, Marte e Inteligência nos Investimentos

janeiro 26, 2009 | por Fernando Botti |

marsUma das maiores e mais prolíxos e talvez profícuos debates filosóficos desse e de outros séculos seja a definição de inteligência, creio que muitas árvores, de forma nada inteligente, foram derrubadas para se publicar livros sobre esse tema. Certamenta não cabe aqui reproduzir algum deles, o que posso aconselhar seriam alguns livros de Steve Pinker, artigos sobre o tema de Asimov, Sagan e Dawkins.

Quero na veradade é fazer uma pequena reflexão sobre a dita “eficiência do mercado” e seus agentes racionais, a HME (Hipótese do Mercado Eficiente) trata-se de uma tese que afirma que todos os preços já estão descontados, motivados por notícias, rumores, novos poços de petróleo, etc, e é praticamente impossível obter alguns retorno excentente a partir de alguma vantagem momentânea, ou seja, todos investidores são participantes extremamente racionais, antecipando esses movimentos. Então dessa forma, seria melhor escolher algumas ações de empresas com sólidos fundamentos, aplicar e aguardar o crescimento delas. Muitos fundos são criados dessa forma, são baseados em premissas da dita “análise fundamentalista”.

Encaremos a realidade de frente, sem medos. Economistas do século XVIII construiram uma hipótese, sem muitos dos martelos matemáticos que possuimos hoje e assume-se isso como um axioma, uma verdade  ? Fazendo um paralelo com o mundo físico, é como se cada agente participante do um pregão, empresas, corretoras, fossem forças (F=m.a) externas que atuassem nos preços, e estes fossem partículas de ar soltas em uma caixa. Essas partículas-preços oscilariam aleatoriamente sempre em busca do equilíbrio. Nunca saberíamos para onde determinado conjunto de partículas (uma ação por exemplo) iria em médio prazo.

enronEntão o melhor a fazer é comprar uma pequena caixa de partículas e esperar que esta cresca, sem saber para onde que elas irão em curto prazo. De certa forma, resumi o inútil debate entre os ditos “fundamentalistas acadêmicos” e os “grafistas intuitivos”. Esse primeiro grupo, crendo de até de outras formas, nessa reza que defende a gestão Buy and Hold, ou seja compre e espere, mas esqueceram que colocar o Buy Right and Hold Necessary, que muita vezes sonegado, faz a derrocada de muitos investidores, exemplos clássicos, avestruz, boi gordo, Enron, enfim, fizeram a história de alguns crashs e fracassos.

Do outro lado, os “grafistas”, que muitas vezes ingênuos, acreditam em técnicas esquisofrênicas como ondas de Elliott e retrações de Fibonacci, entrarei mais adiante nesse assunto. Mas voltando, o que pesa contra também aos “grafistas” é a falta de suporte teórico para suas arserções. Algumas análises podem até fazer algum sentido, porém por motivos errados e carecem de estudos mais aprofundados, sendo sumariamente desdenhados por acadêmicos em geral. Demoradan tentou fazer um resgate de parte da dita ánalise técnica em algum de seus livros, excluindo obviamente alucinações como ondas e padrões áureos.

Voltando à definição de inteligência, vamos adotar de uma maneira simplificada que o agente inteligente, é aquele que introduz correlações em algum ambiente, que de outra forma, não esperaríamos. Por exemplo, se encontrássemos em uma das fotografias que nos chegam de Marte, pedras arranjadas de forma que, claramente, formam um desenho geométrico, um pentágono, teríamos que avaliar muitas suposições, como uma altamente improvável causa natural, até chegar a uma alarmante conclusão, que, a correlação entre as pedras não era esperada e foi causada por um agente inteligente.

Há um livro do Carl Sagan, depois transformado em filme, “Contato” que exibe um exemplo semelhante, antenas altamentes potentes que escutam os sons do Universo, geralmente são ruídos aleatórios, conhecido como ruído de fundo, repentinamente recebem de uma fonte muito distante da Terra, padrões, sequência de números primos. Um correlação numérica que não viria de outra forma além da clara atuação de agentes inteligentes, deixo o fim do livro para vocês lerem.

Marte, grafistas, fundamentalistas e agentes inteligentes, o que tudo isso tem a ver ? É muito provável que os participantes do mercado não sejam tão racionais quanto os fundamentalistas newtonianos esperariam, mas são agentes inteligentes, que provocariam correlações inesperadas nas ditas oscilações não-tão-aleatórias assim do mercado, ou seja, os grafistas estão certos ? Não, talvez acertem algumas vezes, mas pelas razões erradas.

Quer dizer que chegamos em lugar nenhum ? Não exatamente. Excluir as possibilidade erradas nos faz evitar esses caminhos novamente. Muito provavelmente, as explicações mais promissoras virão de estudos mistos, mais abrangentes e ecológicos. Compartimentar o conhecimento pode ser um grave erro.

O que mais você precisa saber:

  1. 7 Comentários sobre “Enron, Marte e Inteligência nos Investimentos”


  2. Por Alberto em jan 26, 2009 | Resposta

    http://?

    Prezado Fernando Botti,

    Parabéns, gostei muito de seu artigo, pois venho também pensando e pesquisando alguns dos tópicos que você menciona.Já coloquei seu endereço em meus favoritos. Se você me permite gostaria de aumentar sua lista de autores incluindo o Nassin N. Taleb, o Benoit Maldenbrot, o John Allen Paulos e o Peter L. Berstein que, embora não citados, estão claramente em seu texto.
    Abraços, Alberto.


  3. Por Fernando Botti em jan 27, 2009 | Resposta

    http://www.atrattore.com

    Olá Alberto,

    Obrigado pela visita e pelos seus comentários, sua lista de livros não é apenas um complemento, ela é necessária, urgente !

    Grande abraço,
    Fernando Botti


  4. Por Arlindo em jan 28, 2009 | Resposta

    Bom dia Fernando;

    Primeiro é preciso definir qual das teorias sobre mercado eficiente você esta debantendo.

    Jensem (1978) diz que mercado eficiente é quando não há possibilidade de se obter lucros econômico com base em informações disponíveis.

    Já para:
    Van Home (1995) o mercado é tido como eficiente quando os preços refletem o consenso geral sobre todas as informações disponiveis sobre a economia, os mercados financeiros e sobre a propria empresa.

    Mas já há um pensamento mais recente Damodaran (2005) que o mercado eficiente é aquele em que o preço de mercado é uma estimativa não-tendenciosa do valor real do investimento e os preços não espelham a todo momento o “preço justo”.

    Como podemos ver são varias teorias sobre o mercado eficiente… E cada uma com uma vertente diferente…


  5. Por Fernando Botti em jan 29, 2009 | Resposta

    http://www.atrattore.com

    Olá Arlindo.

    Obrigado pela sua visita e pelo comentário. De fato, se aplicarmos o teorema do limite central para essas definições, não chegamos a um lugar muito distinto da HME que discuto no texto.

    Abraços,
    Botti


  6. Por Arlindo em jan 29, 2009 | Resposta

    Fernando, boa tarde;
    Creio que não podemos colocar todas as teorias em uma equação para comprovarmos que a soma de suas variaveis tende ao normal (Teorema do limite Central), portando acredito que muitas das teorias do mercado eficiente tem embasamento, mas me parece obvio que grande parte de seu conteúdo deve ser repensado e eu diria descartado. Ao meu ver o grande erro já parte da primissa de que os agentes agem racionalmente, racionalmente quando? sempre? é ruim hein…


  7. Por Fernando Botti em jan 30, 2009 | Resposta

    http://www.atrattore.com

    Olá Arlindo,

    Sei que pode parecer um pouco agressivo, mas muitas das teorias econômicas do sec. X… são em grande parte retóricas…

    Economia foi sempre muito entrelaçada com as ditas “ciências sociais”, ou seja, “ciência-mole”, ligada em tradições, repetições, fama, sucesso de alguns livros…não que a ciência-exata escape disso, mas é exponencialmente mais complexo uma idéia não coerente ganhar “mercado”…

    Abraços,
    Botti


  8. Por Arlindo em jan 30, 2009 | Resposta

    Fernando Botti;
    Concordo. nem tenho como argumentar contra isso… rss

    E pelo contrario, não foi agressivo, foi correto.

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